10/03/2009

Lendo Água Viva (6º) – Clarice Lispector

Sempre tive uma certa fascinação pela figura e pelas frases da Haia (nome de batismo de Clarice – significa vida), mas nunca tinha lido um texto inteiro dela... somente fragmentos...
Essa semana baixei no PDL , esse livro... Realmente é difícil não se falar em fragmentos... cada frase, cada parágrafo, nos desfragmenta, nos confunde com a escritora.
Estou amando... simplesmente apaixonada por essa mulher, pelos seus personagens, pelas suas viagens...
Eu costumo dizer que amo as pessoas viajadas... aquelas que viajam sem sair do lugar... e Clarice Lispector com certeza é uma delas.
O livro fala da vida e da morte dentro da vida. O ato de nascer, sofrer, morrer, se recompor, se refazer e nascer de novo.
É um monólogo, muito profundo sobre o intimo ato de viver.... “É a vida, vista pela vida!”
Recomendo com certeza! É Apaixonante!

Trechos do livro:
“Nova era, esta minha, e ela me anuncia para já. Tenho coragem? Por enquanto estou tendo: porque venho do sofrido longe, venho do inferno de amor mas agora estou livre de ti. Venho do longe - de uma pesada ancestralidade. Eu que venho da dor de viver. E não a quero mais. Quero a vibração do alegre. Quero a isenção de Mozart. Mas quero também a inconseqüência. Liberdade? é o meu último refúgio, forcei-me à liberdade e agüento-a não como um dom mas com heroísmo: sou heroicamente livre.”
(Ops: Chorei com esse trecho, foi identificação instantânea)

“Sim, quero a palavra última que também é tão primeira que já se confunde com a parte intangível do real. ainda tenho medo de me afastar da lógica porque caio no instintivo e no direto, e no futuro: a invenção do hoje é o meu único meio de instaurar o futuro. Desde já é futuro, e qualquer hora é hora marcada.”

“Esta é a vida vista pela vida. Posso não ter sentido mas é a mesma falta de sentido que tem a veia que pulsa.”

“Sim, esta é a vida vista pela vida. Mas de repente esqueço como captar o que acontece, não sei captar o que existe senão vivendo aqui cada coisa que surgir e não importa o quê: estou quase livre de meus erros.”

“Luto por conquistar mais profundamente a minha liberdade de sensações e pensamentos, sem nenhum sentido utilitário: sou sozinha, eu e minha liberdade.(pata que o pareooooo, ela estava falando de mim???)
É tamanha a liberdade que pode escandalizar um primitivo mas sei que não te escandalizas com a plenitude que consigo e que é sem fronteiras perceptíveis.”

“Não sei sobre o que estou escrevendo: sou obscura para mim mesma”
“Sou implícita. E quando vou me explicar perco a úmida intimidade.”

“Estou sendo e ao mesmo tempo me fazendo”

Bom, vou parando por aqui com os olhos marejados, é muita liberdade, muita solidão, muito renascer, muito viver intensamente ... “sou-me”
Juro que volto trazendo mais sobre esse livro... e sem choro... juro que vou tentar!

3 comentários:

  1. Oi...
    Gostei do post...

    Tenha uma boa terça

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  2. Amiga, fale mais! com ou sem choro!
    eu não tenho absolutamente nada contra ele - o choro! rsss
    Lágrimas são parte de mim! ;)

    Beijos

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  3. Li o livro ha anos... foi o primeiro dela que eu li e o mais incrivel. Ler alguns trechos dele aqui me deu vontade de le-lo denovo e entrar nesse universo incrivel que e a nossa propria vida e que ela descreve tao bem...

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