31/05/2011

Da série: minha infância



Outro dia estava lembrando de algumas coisas da minha infância e rindo de muita coisa.

Eu fui uma criança pobre que morava em uma das favelas do Rio de Janeiro e com pais digníssimos.
Meus pais simplesmente faziam tudo o que podiam para nos dar o melhor, dentro das possibilidades deles, então eu me lembro que rolava dois presentes durante o ano, no aniversário e no Natal.
No aniversário eles escolhiam e no natal eu podia escolher, com a condição de que passasse de ano na escola.
Isso era um martírio, porque eu vivia à sombra do presente de natal, então eu me lembro de rezar à noite para passar de ano, todos os dias, aos 07, 08, 09 anos de idade:

Senhor, me ajuda a passar de ano, não deixa eu repetir e nem ficar de recuperação.

Sei que da recuperação eu nunca me safava, porque a maldita matemática me pegava pelo pé (o castigo era ficar sem brincar até passar), mas no fim eu sempre passava e foi assim até o fim da faculdade, onde não perdi nenhuma matéria.

O engraçado é que meus pais conseguiram embutir em mim, que o sentido da minha vida era estudar, se eu repetisse, além de ficar sem presente, ia ser uma vergonha, ia ser aquela que levou bomba, ia ser a feiosa, ia ser a ovelha negra da família e ainda ia perder a minha bolsa no colégio particular ( esse ultimo argumento, eu descobri bem depois que era mentira), ia ter que ir para o colégio público. Como sempre estudei em colégio particular, eu tinha uma visão fantasmagórica do colégio público, afinal ele sempre estava entre as ameaças dos meus pais. O detalhe é que eu era zuada na escola particular porque eu morava na favela e mesmo assim eu não queria sair de lá...

Voltando às lembranças da escola, vejo que eu fiquei com um trauma...Calma gente eu não vou matar ninguém porque me zoavam na escola, o meu trauma é o seguinte:

Eu não tomo suco de limão... odeio limonada, eca!!!

Eu levava suco de limão e creme cracker quase todo dia para a escola!!!
Meu sonho naquela época era encostar na cantina e dizer: Tio me dá um Tai, com uma esfiha ( naquela época acho que joelho era esfiha), mas minha mãe dizia que refrigerante era para beber fim de semana, porque engordava e ela também não tinha dinheiro e que meu biscoito era muito gostosinho, que tinha criança que não tinha nem o que comer e que meu pai já pagava a minha escola e que eu tinha que ver a merenda da escola pública, hehehe ( falava em escola pública me convencia).

Conclusão, odeio limonada e amo joelho... amo, amo e amo... amo skiny, amo cheetos... tudo que não era saudável antes e continua não sendo e nesse meio tempo eu deixei de ser uma criança magra, para ser uma adulta gorda, e meu medo de escola pública acabou quando descobri que a onda era estudar em Universidade pública ( o que eu não consegui)... ai que pena de mim!!! Ahahaha

É bom lembrar dessas coisas... isso vai puxando o fio da nossa existência, mas outra hora eu conto mais sobre a minha infância...

9 comentários:

  1. Parabéns!
    Assumir nossas origens,neste mundo virtual,é um ato de coragem,e amor!
    também tenho saudades de algumas coisas,outras detesto,como geléia,aquela vermelha e amarela vendidas na porta da escola!
    Deixo-lhe um abraço, cheio de boas energias!
    Mari

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  2. Oi Lilia
    Adoro quando alguém conta fatos da infância, acho muito legal. Hoje você poderia processar seus colegas ricos por bullying e ganhar uma grana deles rsrsrsrs
    Bjux

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  3. Ai amiga, ler seu blog é viajar com certeza! e, uma viagem deliciosa porque sempre me "vejo" em suas palavras!
    Assim como você também estudei em Colégio Particular e tinha pavor do público até o segundo grau (acho q nem se chama mais assim rs); quando optei por um curso técnico e profissionalizante. "Nojentinha" com minhas coisas como vc bem sabe q sou, imagina como reagi nos primeiros meses né? foi a primeira vez que vi uma pixação de perto. Bem como (ao contrário de vc que já convivia com elas), conheci a diversidade social que é nosso país. Agradeço até hoje a experiência e a meus pais que mais uma vez me permitiram optar e me orientaram o suficiente para que eu não tivesse preconceito nem traumas! Foi lá também que vi drogas de perto. Foi a primeira vez que disse não a várias coisas que continuo dizendo até hoje. Isso não me fez melhor ou pior do que ninguém. Apenas me permitiu ter opções! a conhecer o mundo real em que vivemos e não aquela "máscara" de sociedade perfeita que eu conheci até então. O C.E.A.L. (escola estadual do bairro Ingá em Niterói), foi sim uma verdadeira ESCOLA de vida! Descobri minha vocação profissional nas salas cheirando a mofo do escritório modelo onde um professor sonhador ensinava seus alunos a lutar pelo que queriam mesmo qdo tudo parecia conspirar contra! Viva as histórias de cada um e suas requizas. Elas valem muito!
    Bjs

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  4. suco de limão e creme cracker, uma combinação explosiva !! risos.
    Eu tb sempre ficava em matemática.

    Valeu pela visita !

    Seguindo....

    bjs

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  5. gostei do novo visu ficou bem arrumadinho... valeu pela visita beijão..

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  6. Ok Lília, quando eu te convidar pra vir na minha casa, vou fazer uma limonada tao gostoooooosa!!! kkkkkk

    Cabecinha de criança é a coisa mais fácil de assimilar o que é bom (pra ela) num é. Veja você, tao pequenininha e já sabia que se dependesse de escola pública além de se F ia ter que comer merenda, afe. Olha, eu comi muita dessas merendas, aliás, era a minha salvação, mas nao me convide pra comer polenta ´ta! kkk

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  7. Nossa infância é a melhor parte da nossa vida! Sorte!:)

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  8. Oi Lília
    É tão bom recordar coisinhas da infância ! tempo gostoso ... rs
    Bom agora voce cresceu entao pare de comer cheetos rs
    beijinhos bom sábado

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  9. Esse post me trouxe lembranças maravilhosas..... também sou da época em que presente só duas vezes por ano.... e eu ainda saia um pouco prejudicada pois meu aniversário (em novembro) é perto do Natal.... hoje percebo que são beeeem distantes um do outro.
    Estudei sempre em escola pública.... era realmente um sonho você poder comprar coisas na cantina.... mas minha família não tinha grana nem para bancar uma mensalidade escolar nem o lanchinho da cantina.... mas também não conseguia comer a merenda da escola.... e olha que a minha avó foi a merendeira de lá por muitos anos..... kkkkkkkkk
    Hoje mesmo estava conversando com a Bia e disse a ela que sempre encarei os estudos como minha obrigação.... independente de presente de Natal.... sabia que se não estudasse nada poderia melhorar pra mim.... passar em Universidade Pública foi uma obrigação porque não teria condições de bancar uma faculdade.... mas “tai”, o tempo passou, financeiramente tudo melhorou mas a saudade da infância é tão grande que daria tudo pra voltar..... porque vemos que a nossa responsabilidade era tão somente tirar notas boas.... E eu AMOOOOOOOO limonada!!!!!!!!
    Bjs

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